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  Meu caderno meu coração Guardo aqui numa caixinha como se fosse relicário meu coração por escrito mas há algo errado  como palavras que surgem fora do dicionário Voos sem os pares... sem saber onde estão os prados Se todos estão tão gigantes e amontoados!? Sei que num quartinho chega de bom grado Ou alguém que sem querer,  "Ah...vai, apareceu deixa eu ler..." Nisso o caderno é mais democrático Comporta o vazio de não ter que ser, sendo E quando ele tão por fora se vê questionado: - Qual o tamanho do teu ouro? O que ele sabe é que, às vezes, nem duas moedas... E vai lento Se lendo no silêncio por fora e por dentro Outra vez questionado Qual o tamanho do teu ouro? Ele se vê em si redobrado Porque não é o que trazes E o que tem guardado. Susana Raposo Imagem: Canva.
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  Esgrima Interior Introdução Um certo dia de escrita diária uma voz intercalou meus pensamentos. Havia uma luta interna.  Vencedor e o vencido precisavam de uma chave para poderem continuar dali em diante.  Isso é uma esgrima, apontou a voz ao dilema em questão. O eu, sem saber quem era, ou para onde estava indo, viu as vendas dos seus olhos serem abertas para o caminho de si mesmo. Mas, havia um porém não terem clareza como tudo virá acontecer ou acabar.  Um estudo para a vida inteira. *** Esgrima Interior I Espanta a face No silêncio Quando sozinho se faz valer  A Presença Somos aquilo que somos Quando ninguém nos vê E ainda corremos o risco de não nos saber. *** Esgrima Interior II A imagem era sedutora Sobre rochas Lutavam as flores Todo o branco sonoro Era desejado Palma da mão Palma da pedra Coração latejando crepúsculo Pingente nas mãos de uma Estrela. *** Esgrima Interior III Não pularia essa parte Ora essa, faça Arte!? Rosa Negra Um afundo Seria voador...
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    Isso é uma oitava acima Por que será que dizias Isso é uma oitava acima? Que eu tão nova no grupo te olhava e relia Foi rápido, tão rápido Te conhecer foi um sopro Botão que flori só uma vez O grande abraço O grande conselho O livro que por qualquer circunstância... Ora ignorado, só lembro de você dizer: "- Agora tenho que saber com quem o Livro foi deixado?" Ouvi dizer hoje que eras despojado Gentil  Amoroso Sem disfarces Já essas horas sonho Um encontro Um acaso Seus olhos nos olhos dos anjos Vitorioso Silêncio Abarcado Autêntico Que lutou o bom combate Deixando o rastro Eis que brilha feito a pedra do teu achado. Susana Raposo (02/05/2021) Para: Humberto Boratti Neto, em memória. Imagens de Regina Fonseca.  Botão colhido por ela pensando no Humberto; e que desabrochou, assim como o sentimento de todos os amigos. Humberto querido. Livro: XXXVII 26. Chamamos atenção para a morte que tem o mundo em suas garras cegas, mas também destacamos a vida que se renova con...
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  A Lua Imagem fixa passada por que parece perfumada? A Lua há de ser mais lua nesta rua? Asas dá a olhares infinitos Como se vigiasse o Sol se despedindo, A Lua seu destino... Lê meus segredos desafia afinando meus medos Se pondo no oceano Oh...Vem Rosa avisando: - Na outra janela, vai! - Qual janela? - A que se abre em você...                                                        Susana Raposo.                                 Foto: Dennys Lasneau.  
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  Quando penso nas minhas impossibilidades... Nunca sabemos o bastante sobre nós mesmos, tão pouco dos outros. Percebo quando mando uma mensagem para alguém, seja uma poesia e imediatamente penso que não era bem isso... Não deveria... Mas, me vejo às vezes como esta minúscula abelhinha da foto, que se depara com uma chance de pousar numa flor. O ser humano pode ser uma flor cada vez mais rara.  E no meio de tantos lugares de fala eu gostaria de me sentar no lugar da escuta. O que vai à contra mão, já que é uma possibilidade e existem lugares disponíveis. Um deles e talvez o mais incômodo, é o lugar dentro de nós mesmos. Se escutar não é tarefa fácil! Quantas vezes falamos ou agimos sem nos ouvir?! Esses dias aprendi algo que de certa forma eu colocava em prática sem querer, mas que agora surgiu a oportunidade de colocar em prática querendo. São perguntas que devemos fazer: - É verdadeiro? - É gentil? - É necessário? A amiga que gentilmente me apresentou estes filtros simplific...
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  Das coisas que me acalmam... Se eu pudesse me dar o tempo, faria as coisas que me acalmam. Estou prestes a conseguir. Escrevo e leio noite e dia a ponto de rir. Olho e rego as plantas, como se fossem o corpo luminoso no orvalho da terra... A terra que consome a água, numa disputa com o céu, que a quer para chover... E eu leio a chuva... prometo não dizer, que isso também é dizer... Eu sinto frio, mas me aqueço lembrando que não foram das minhas mãos a recusa. Me dou inteira à procura, Desvencilhando despropósitos, com otimismo, reza e estudo. Tanto, que esqueci o verso que tinha preparado para escrever... Porque não tenho o tempo que o tempo me tem... Susana Raposo. (Foto autoral de alguns papéis sobre a mesa e um encarte de pássaro.)    
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Como vou saber Do amor que trazes, como vou saber? Um bom dia não responde, não sei o porquê. Se eu soubesse conjugar  o verbo silenciar, mas nem assim, silenciaria a mim... pela beleza do Sol e suas cores... Não estou competindo. Mas, sei de coração, não estou mentindo. O fato de Jesus ter vencido a cruz, não dá o direito de me sobrepujar. Sei que cada vez mais cada um quer o seu lugar sozinho na lua. Eu também, não vou negar Mas é dentro dela, com alguns tantos Brincando de ciranda  Com bons- dias e boas- noites... Susana Raposo Imagem autoral. Criada em Janeiro -2021