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 Quantas sobreposições numa tela que já me viciou querê-la escura. Mostra também as horas que meu amor não tem. O coração de quem curtiu qualquer coisa sem vintém. Os recursos de cores, as opções de traço.  O raio sem chuva de quanto e quando existe sinal.  A bateria amena. Esgotada. Foste isso uma prece, os frutos seriam muitas pérolas, roladas da face O coração é sem disfarce. Sim Deus, o Senhor é bom! Não penso em desistir. Dói, dói muito ver a realidade cozinhando a gente, mas faço o meu dia ser agradável. Como ouvi esta manhã, é tão bom ter um bode grande na sala, porque quando ele sai,  sobra tanto espaço. Foi o professor Clóvis de Barros Filho com seu gato Epaminondas que explicou. E com gosto, desejo o Bom Agosto! Susana Raposo
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Novembro de 2021.  Foi " o tira a teima"... Quem é que fala isso mesmo?!  Não vem ao caso... Eu estive numa Escola a qual tenho muito apreço. Uma visita breve, mas que me rendeu um retorno esplêndido a parte mais leve da vida.  Não estava lá num dia supimpa, embora quisesse muito ter com quem falar, me propus a ser uma estátua. Queria apenas ver as crianças brincarem. Sentei tristemente, ah  desculpa a sinceridade. Mas só que é impossível para eu permanecer triste se em minha volta há crianças. E sentada vendo-as se aproximar de mim, fui dando lascas de sorrisos quando os menininhos vinham me cumprimentar. Até que de repente, uma garotinha pertinente me solta esta:  - "Você é criança ou adulto?" Ah...Coração, lembrando aqui daquela canção que diz "se apronta pra recomeçar..."* Eu me levantei, sentei de novo...ela se sentia a vontade de ficar perto do meu eu estátua, que já se amolecia... Tive que responder alguma coisa. Respondi. Todos adoraram a resposta...
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Pérola Ninguém é o dono da escrita, da arte, da dança... Ninguém com tal importância pode dizer  Isso serve, isso é.  Porque muito do que é, já foi. Tudo que foi não é mais.  A vida dá sempre uma chance de sermos o grão de areia que cairá na concha. Essa sim é a Arte que pode nos transformar. Ela é perfeita! Mas, cabe uma busca...uma procura por matas escuras e grandes abismos. Um encontro com si mesmo, que dói tanto...tanto... como o romper de um ventre.  Talvez a concha vai abrir sozinha, ou alguém fará isso se a encontrar.  A pérola não mudará. Susana Raposo.
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  Foto: Claudio Vieira/PMSJC   A guerra das pipas Esta história aconteceu num pôr de sol de agosto de 2021. Três pipas no céu estavam entre si esperando cada qual o seu dono para desbicar: - Esse meu dono ai é inseguro eu não aguento mais.  - Espera que o vento mudando a direção ele acorda. A pipa quase sem rabiola estava girando e não conseguia falar qualquer coisa. Cada vez mais que o sol adentrava no final da linha do horizonte. O fim da tarde vinha frio e Diguinho com uma das mãos levantava suas calças e corria para trás olhando sua linha desenrolar inteira de sua lata. - Ué!? Uma pipa do homem aranha, provavelmente de um bairro vizinho vinha rasante... Embaralhou todas as pipas, os garotos começaram a gritar até que um a um desaparecia deixando a rua deserta e todas as pipas formando um tufo no céu. - Caramba! O que que foi isso?  - Vixi estou rasgado! - Me larga! Sai daqui! Numa janela uma garotinha chamava sua mãe para ver o balão. - Não filha não é balão! Diz...
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  Hoje não poderia deixar de escrever aqui. Minha mãe acompanha este blog e sempre pergunta se já tem coisa nova. O novo de hoje foi andar ao meio fio no frio. Ver que enquanto eu subia a ladeira um menino descia pela mesma, correndo com a blusa aberta lhe abrindo mais as asas. Também tive vontade de correr. Quem sabe no futuro já tenha alcançado o que hoje o viés do tempo escoa. Fico no agora, contemplando quadros. A transparência mate Em meio fio de sol de inverno Asas de uma tal solidão azul aguda de urtiga essa dor Que sorrisos trazes pra mim? Não se esquive em me dar Foste eu qualquer silêncio Numa oração de mar... A noite opaca abraça o dia Teus olhos a única luz Como vai? Foste eu esse aconchego Do ir em paz... Susana Raposo  
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  Obra En los Alpes del Sur  De John Gully (1819- 1888) Nova Zelândia     Hoje pela manhã fiz um poema e dei o nome de poema esvaziado. É bem verdade que a importância de um vaso se dá no seu vazio. E ser menos não quer dizer ser menor.  Ia postar o poema no meu perfil do Instagram, mas vou deixar o poema descansar. Aliás muita coisa em mim precisa descansar, quando faço um poema ele é apenas uma criança que acabou de nascer e não sei o que virá se tornar. Outro dia perguntei se minha cabeleireira tinha visto estes escritos, ela foi muito sincera e disse que não, dedicava seu tempo livre assistindo os pastores fazerem orações.   A vida é esta estrada montanhosa que nos abraça.  Susana Raposo                                                                         ...
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  Meu caderno meu coração Guardo aqui numa caixinha como se fosse relicário meu coração por escrito mas há algo errado  como palavras que surgem fora do dicionário Voos sem os pares... sem saber onde estão os prados Se todos estão tão gigantes e amontoados!? Sei que num quartinho chega de bom grado Ou alguém que sem querer,  "Ah...vai, apareceu deixa eu ler..." Nisso o caderno é mais democrático Comporta o vazio de não ter que ser, sendo E quando ele tão por fora se vê questionado: - Qual o tamanho do teu ouro? O que ele sabe é que, às vezes, nem duas moedas... E vai lento Se lendo no silêncio por fora e por dentro Outra vez questionado Qual o tamanho do teu ouro? Ele se vê em si redobrado Porque não é o que trazes E o que tem guardado. Susana Raposo Imagem: Canva.